Agronegócio no Paraná. Paisagem rural ao entardecer, com lavoura, estrada de terra, árvore isolada e raios de sol atravessando nuvens no horizonte. Foto Gislene Bastos/H44 Horizonte

Agronegócio no Paraná: conheça a moderna indústria rural

Uma viagem pelas regiões produtoras do agronegócio no Paraná revela como tecnologia, cooperativismo, exportações e qualificação profissional transformaram o campo em uma moderna indústria rural.

Em 2017, produzi para a RICTV | Record TV Paraná a reportagem “Evoluções tecnológicas chegam juntas com avanços de produtividade e propostas de bem-estar animal”, vencedora do Prêmio Alltech de Jornalismo, na categoria Gestão de Negócios.

Durante as viagens de gravação, ao lado do repórter cinematográfico Dionei Santos, também escrevi para meu antigo blog, Escolha Verde, a série “A moderna indústria rural”.

Agora, esse material passa a integrar o arquivo do H44 Horizonte.

O campo que encontrei nas estradas do Paraná era bem diferente da imagem bucólica da memória: menos paisagem parada no tempo, mais tecnologia, gestão, cooperativismo e inovação. Uma indústria rural a céu aberto, essencial para entender o agronegócio brasileiro de hoje.

O campo além da imagem bucólica

Caminhões carregados. Estradas pavimentadas. Plantas industriais modernas. Em dez dias de viagem pelas regiões produtoras eu e o repórter cinematográfico Dionei Santos mergulhamos no mundo do agronegócio no Paraná. Uma realidade que está muito próxima de quem vive nas cidades – mas pode ser bem diferente do que imaginamos! Nascida e criada no interior de Santa Catarina, e desde os doze anos morando em áreas urbanas, eu conservo lembranças de um campo bucólico, com pequenas propriedades rurais e jardins floridos. Ele ainda existe, mas não é o que se vê trafegando pelas estradas que cortam o estado. São quilômetros de plantações, secadores e silos de grãos, granjas, fazendas de gado. A cada curva, mais do mesmo.

Grãos, carnes e exportações em alta

Soja, milho e feijão lideram a produção agrícola no Paraná. Até o final do ano deverão ser colhidas nas lavouras do estado 40 milhões de toneladas de grãos. Só a produção de soja deve chegar a 19 milhões de toneladas, segundo projeções do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (SEAB).  A cultura foi favorecida pelo clima e investimentos em tecnologia por parte do produtor.

A produtividade média prevista é de 3.497 kh/ha, 12% superior à do ano passado. A safra de verão. Somando soja, milho e feijão deve fechar em 23,6 milhões de toneladas, aumento de 16% em relação ao ano passado.  O Paraná também é o maior produtor e exportador de carne de frango. Vende atualmente para mais de 160 países.

Em 2016, entre as maiores economias brasileiras, o Paraná foi o estado com maior crescimento nas vendas externas. A receita chegou a 15 bilhões de reais e 75% desse valor vieram do agronegócio, setor com maior peso nas exportações do estado.

Agronegócio no Paraná e o mercado externo. Foto Gislene Bastos

Paranaguá e Antonina no caminho da safra

A China é o maior cliente. Soja em grão e carne de frango continuam sendo os principais produtos de exportação do Paraná. No ano passado houve aumentos significativos também nas vendas externas de carne suína (13%) e de açúcar (12,3%). E o desempenho se mantém em alta. Entre fevereiro e maio, 8,61 milhões de toneladas de soja, farelo e milho devem ser movimentadas nos portos de Paranaguá e Antonina, volume que ficará 10% superior ao do mesmo período do ano passado. Fevereiro foi o melhor mês em carregamentos no porto de Paranaguá. 

Como 80% da soja que chega ao terminal vem por via rodoviária, encontrar caminhões no sentido litoral é das imagens mais comuns por esses dias.  Além do que é produzido no Paraná, o porto de Paranaguá escoa os grãos colhidos nos principais estados produtores brasileiros, como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. O país deve produzir nesta safra 215 milhões de toneladas de grãos.

Por trás do bom desempenho da lavoura está a capacidade de agregar valor à produção com investimentos em pesquisas, insumos e maquinários. O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes) prevê crescimento de 6,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio em 2017. E não tem como falar em agronegócio sem envolver o cooperativismo. 

Cooperativismo como motor do agro paranaense

Conforme a SEAB, o sistema responde por 22,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná e por 56% da produção agropecuária do Estado. As 200 empresas que integram a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) tiveram faturamento no ano passado superior a R$ 70 bilhões, um crescimento de 16,24% em relação a 2015.  O sistema exportou US$ 2 bilhões, investiu R$ 2,1 bilhões e recolheu R$ 1,88 bilhão em tributos.

O cooperativismo paranaense está presente em 100 dos 399 municípios, reúne 1,4 milhão de cooperados, 84 mil empregados e gera 2,6 milhões de postos de trabalho. O chefe do Departamento de Economia Rural da SEAB, Francisco Carlos Simioni, destaca que o trabalho integrado permitiu às empresas cooperadas avançar em eficiência e escala no último ano, apesar dos desafios. “Nos municípios mais distantes dos grandes centros de desenvolvimento do Estado, a presença do cooperativismo tem peso elevado no orçamento e na renda”. 

O Plano 100 divulgado pela Ocepar define estratégias para o setor chegar ao faturamento de R$ 100 bilhões até 2020, com a manutenção de investimentos e o desenvolvimento da agroindústria para agregação de valor à produção. Nos próximos anos, o agronegócio poderá chegar a 33% do PIB do Paraná. Em nível nacional o setor contribui com mais de 23% do PIB, gera 30% dos empregos e totaliza 40% das exportações.

O efeito do agro sobre a indústria

O agronegócio ajuda na recuperação da indústria! No Paraná o setor industrial encerrou o último trimestre de 2016 com avanço de 3,3% na produção em relação ao mesmo período de 2015, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De janeiro a dezembro, a indústria paranaense encolheu 4,3%. Queda inferior a 2014 (-5,1%) e 2015 (-8,8%) e ao desempenho da indústria no país, que fechou o ano passado com redução de 6,6%. 

Na análise do economista Julio Suzuki Júnior, diretor-presidente do Ipardes, a tímida retomada vem impulsionada pelos excelentes números do agronegócio. Na comparação de dezembro com o mesmo período do ano anterior, oito das treze atividades pesquisadas mostraram aumento na produção. Destaque para máquinas e equipamentos (129,6%) – com maior produção de máquinas para colheita e tratores agrícolas – e de veículos automotores, reboques e carrocerias (48,9%). Também se saíram bem os ramos de produtos alimentícios (6,2%), de outros produtos químicos (17%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (24,1%) e de produtos de metal (11,8%).  

E só para confirmar, na indústria de alimentos, os destaques ficaram com produtos relacionados ao campo como a fabricação de bombons e chocolates em barras, carnes e miudezas de aves congeladas e tortas, bagaços, farelos e outros resíduos da extração do óleo de soja. Suzuki Júnior prevê um fechamento de ano com interrupção na trajetória de queda da indústria, graças à combinação safra boas, recuperação da economia nacional e ampliação das exportações.

Qualificação profissional no campo

O treinamento de produtores rurais e trabalhadores é uma das ferramentas para aumentar a eficiência no campo. Só o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, treinou 153 mil pessoas no ano passado em quase 7 mil cursos. Davi Gonçalves de Souza é granjeiro em aviários da Copacol, em Cafelândia. Ele frequentou as aulas em Assis Chateaubriand, na mesma região, e aprendeu práticas mais eficientes para produção de aves. ”Consigo lotes com melhores ganhos”, garante. 

O médico veterinário Douglas da Silva é gerente de integração de aves na cooperativa e acompanha o treinamento promovido junto aos cooperados e seus funcionários. Ele ressalta que “novas tecnologias e técnicas de manejo surgem com frequência; o curso é o momento de buscar a máxima eficiência possível”.

Já o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP), que nasceu no Paraná, investe por ano 37 milhões de reais para capacitar os novos trabalhadores e gestores do agronegócio. Leonardo Boesche, superintendente Sescoop/PR, enfatiza que o milagre do crescimento das cooperativas mesmo num ano de recessão, como em 2016, passa pela “profissionalização, gestão e preocupação em fazer a coisa certa. É isso que tem feito a diferença.” O cooperativismo desenvolve o setor agropecuário e alavanca investimentos em soluções que colocam o Paraná na linha de frente do mercado.

Confira todas as reportagens da série a moderna indústria rural no Paraná:

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