F-39E Gripen FAB 4109 apresentado em Gavião Peixoto como o primeiro caça produzido no Brasil.

Primeiro F-39 Gripen produzido no Brasil marca avanço da indústria nacional de defesa

O primeiro F-39 Gripen produzido no Brasil foi apresentado em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, marcando uma nova fase do programa da Força Aérea Brasileira. Mais do que a entrega de uma aeronave, o marco reforça a transferência de tecnologia, a formação de profissionais brasileiros e o avanço da indústria nacional de defesa.

O Brasil apresentou, na quarta-feira, 25 de março de 2026, o primeiro F-39 Gripen produzido no Brasil. A cerimônia foi realizada no complexo industrial da Embraer, em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, e marcou uma nova etapa do programa Gripen na Força Aérea Brasileira.

A aeronave, de matrícula FAB 4109, é o primeiro Gripen E a sair da linha de produção brasileira. O marco transforma em imagem pública um processo que vem sendo construído há mais de uma década, envolvendo transferência de tecnologia, formação de profissionais, integração industrial e participação de empresas brasileiras em uma cadeia global de defesa.

O evento reuniu autoridades brasileiras, representantes da Suécia, executivos da Saab, da Embraer e integrantes da Força Aérea Brasileira. Entre os presentes estavam o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, e a embaixadora da Suécia no Brasil, Karin Wallensten.

O primeiro F-39 Gripen produzido no Brasil tem matrícula FAB 4109 e foi apresentado em Gavião Peixoto.
Primeiro Gripen montado no Brasil coloca a indústria nacional de defesa em nova fase tecnológica.

Mais que um caça: o que a produção nacional representa

O F-39E Gripen é um caça multimissão de alta complexidade tecnológica, projetado para atuar em defesa aérea, reconhecimento e ataque. A aeronave reúne sensores modernos, aviônicos avançados, sistemas de missão e arquitetura centrada em rede, que permite compartilhamento de informações e maior consciência situacional em operações complexas.

Mas o significado do Gripen produzido no Brasil vai além da capacidade operacional da aeronave.

A produção em Gavião Peixoto representa um salto para a Base Industrial de Defesa, porque coloca o país em uma etapa mais avançada da cadeia de desenvolvimento, produção, testes e sustentação de uma aeronave de combate moderna.

A própria Saab informa que o complexo da Embraer em Gavião Peixoto produz os caças Gripen E com uma cadeia de suprimentos brasileira e internacional, incluindo aeroestruturas fabricadas na unidade da Saab em São Bernardo do Campo, em São Paulo. Outras 14 aeronaves do contrato atual seguirão esse mesmo modelo de produção no Brasil.

Transferência de tecnologia formou profissionais brasileiros

O programa Gripen começou com a escolha da aeronave em 2013 e foi formalizado em 2014, com contrato para 36 caças: 28 Gripen E monopostos e 8 Gripen F bipostos. Desde o início, a proposta ia além da compra de aviões prontos. O programa incluiu transferência de tecnologia, treinamento, suporte logístico, desenvolvimento industrial e participação de empresas brasileiras.

Segundo a Saab, o programa de transferência de tecnologia envolveu áreas como treinamento teórico, programas de pesquisa e tecnologia, capacitação prática na Suécia e trabalhos de desenvolvimento e produção. Mais de 350 profissionais brasileiros, entre engenheiros, operadores, técnicos e pilotos, participaram de processos de capacitação ligados ao programa.

O Ministério da Defesa informa que o programa impulsionou a criação de mais de 12 mil empregos, sendo cerca de 2 mil diretos e 10 mil indiretos. Para a pasta, o ambiente industrial criado contribui para reter profissionais qualificados e ampliar a autonomia nacional em áreas estratégicas.

Embraer, Saab e empresas nacionais integram cadeia de alta complexidade

A participação brasileira no Gripen não se limita à montagem final da aeronave.

Em Gavião Peixoto, a Embraer concentra atividades relacionadas à produção, desenvolvimento, ensaios em voo e integração do programa. O local abriga estruturas associadas ao Gripen Design and Development Network, o GDDN, descrito pela Saab como um centro de desenvolvimento tecnológico do Gripen no Brasil, conectado à Saab na Suécia e a parceiros industriais brasileiros.

A Saab também mantém em São Bernardo do Campo uma fábrica de aeroestruturas do Gripen. Em 2023, a empresa concluiu no Brasil a produção da primeira fuselagem traseira da aeronave, estrutura que abriga o motor do caça. Segundo a Saab, a unidade brasileira faz parte da cadeia global do Gripen E, e aeroestruturas produzidas em São Bernardo podem seguir tanto para Gavião Peixoto quanto para Linköping, na Suécia.

Esse ponto é central para entender o peso industrial do programa. O Brasil não apenas recebe aeronaves: participa de etapas de produção, desenvolvimento, integração, testes e sustentação de uma plataforma de defesa de alta complexidade.

Gripen já opera em missões de defesa aérea

A apresentação do primeiro Gripen produzido no Brasil ocorre em um momento de amadurecimento operacional do programa.

Desde fevereiro de 2026, o F-39 Gripen passou a cumprir missões de Alerta de Defesa Aérea a partir da Base Aérea de Anápolis, em Goiás, protegendo o espaço aéreo sobre a região do Distrito Federal. Segundo a Saab, 11 aeronaves já haviam sido entregues até a data da apresentação, e o Gripen já estava operando em missões de QRA, sigla em inglês para Quick Reaction Alert.

Esse avanço mostra que o programa deixou de estar apenas na fase de desenvolvimento, testes e cerimônias públicas. O caça já começa a integrar a rotina operacional da defesa aérea brasileira.

Antes de ser incorporada definitivamente à frota, a aeronave apresentada em Gavião Peixoto ainda passará por testes funcionais e voos de produção. Depois dessa etapa, será integrada ao 1º Grupo de Defesa Aérea, o Esquadrão Jaguar, sediado em Anápolis.

O que muda com o primeiro F-39 Gripen produzido no Brasil?

  • O Brasil passa a ter montagem final do Gripen E em Gavião Peixoto.
  • A produção nacional envolve cadeia brasileira e internacional.
  • 15 das 36 aeronaves do contrato seguirão o modelo de produção no Brasil.
  • O programa formou mais de 350 profissionais brasileiros.
  • A iniciativa impulsionou mais de 12 mil empregos diretos e indiretos.
  • Empresas brasileiras participam de áreas como estruturas, integração, desenvolvimento e testes.
  • O Gripen já opera em missões de Alerta de Defesa Aérea a partir de Anápolis. 

O desafio agora é transformar capacidade em continuidade

O primeiro Gripen produzido no Brasil é um marco, mas não deve ser lido como ponto final.

Na indústria de defesa, a parte mais difícil nem sempre é inaugurar uma linha de produção. O desafio maior é sustentar a capacidade criada: manter profissionais qualificados, preservar fornecedores, atualizar sistemas, garantir suporte logístico, dominar processos de manutenção e ampliar a participação nacional em futuras etapas do ciclo de vida da aeronave.

Também é importante fazer uma distinção editorial: o Gripen produzido no Brasil não é um caça totalmente nacional. Ele nasce dentro de uma cadeia global de tecnologia, fornecedores, sistemas e integração. O mérito brasileiro está em ter entrado em camadas relevantes dessa cadeia, com montagem final, produção de aeroestruturas, desenvolvimento, testes, integração e formação de mão de obra especializada.

É justamente aí que está o salto.

O Brasil deixa de ser apenas comprador de um sistema pronto e passa a ocupar um papel mais relevante na produção e sustentação de uma aeronave de combate moderna. A pergunta para os próximos anos será se o país conseguirá transformar essa participação em presença duradoura na cadeia global de defesa.

De olho no Horizonte

Qual foi o primeiro Gripen produzido no Brasil?
O primeiro Gripen produzido no Brasil é o F-39E Gripen de matrícula FAB 4109, apresentado em 25 de março de 2026, em Gavião Peixoto, São Paulo.

Onde o Gripen brasileiro foi produzido?
A aeronave foi produzida no complexo industrial da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, dentro do programa desenvolvido por Saab, Embraer e Força Aérea Brasileira.

Quantos Gripen serão produzidos no Brasil?
Segundo o Ministério da Defesa e a Saab, 15 das 36 aeronaves contratadas seguirão o modelo de produção no Brasil.

O Gripen é totalmente brasileiro?
Não. O Gripen produzido no Brasil integra uma cadeia de suprimentos brasileira e internacional. O avanço está na participação nacional em montagem final, aeroestruturas, desenvolvimento, testes, integração e capacitação tecnológica.

Por que o primeiro Gripen brasileiro é importante?
Porque representa um avanço para a indústria nacional de defesa, amplia a transferência de tecnologia, forma profissionais especializados e coloca o Brasil em uma posição mais relevante na cadeia global de produção de aeronaves de combate.

O Gripen já está operando na FAB?
Sim. Desde fevereiro de 2026, o F-39 Gripen opera em missões de Alerta de Defesa Aérea a partir da Base Aérea de Anápolis, em Goiás.

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