Litoral do Albardão, em Santa Vitória do Palmar, onde foram criados o Parque Nacional do Albardão e a APA do Albardão.

No Dia Mundial dos Oceanos conheça o Parque Nacional do Albardão, o maior parque marinho do Brasil

O litoral sul do Rio Grande do Sul ganhou duas novas unidades de conservação federais: o Parque Nacional do Albardão e a APA do Albardão. Juntas à zona de amortecimento, as áreas somam mais de 1,6 milhão de hectares e reforçam a proteção de ecossistemas marinhos e costeiros estratégicos para espécies ameaçadas, como a toninha, tartarugas, tubarões, raias e aves migratórias.

Publicado originalmente após a criação das unidades de conservação, este conteúdo foi atualizado para o Dia Mundial dos Oceanos com novos dados sobre a importância do Albardão para a proteção marinha no Brasil.

Neste Dia Mundial dos Oceanos, o Brasil tem um novo marco para celebrar: a criação do Parque Nacional do Albardão, no extremo sul do Rio Grande do Sul, considerado o maior parque marinho do país. Mais do que uma nova área protegida, o Albardão representa uma resposta concreta ao desafio global de ampliar a conservação marinha e proteger espécies ameaçadas no Atlântico Sul.

Uma vitória histórica para a conservação dos oceanos se concretizou no extremo sul do Brasil. O governo federal oficializou a criação de duas novas unidades de conservação federais no litoral de Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul: o Parque Nacional do Albardão e a Área de Proteção Ambiental do Albardão, a APA do Albardão.

As unidades foram criadas por decreto publicado em edição extra do Diário Oficial da União em 6 de março de 2026. O Parque Nacional do Albardão possui cerca de 1.004.480 hectares, enquanto a APA do Albardão soma 55.983 hectares. Considerando o parque, a APA e a zona de amortecimento, o conjunto chega a 1.618.488 hectares de área protegida.

Com essa extensão, o Albardão passa a ser considerado o maior parque marinho do Brasil, um marco para a proteção da biodiversidade marinha e costeira no país.

Duas novas áreas protegidas no extremo sul do país

O Parque Nacional do Albardão e a APA do Albardão estão localizados no litoral sul do Rio Grande do Sul, em uma região de grande relevância ecológica no município de Santa Vitória do Palmar.

Segundo o ICMBio, o Parque é prioritariamente marinho e protege também uma pequena porção de praia, onde ocorrem depósitos conhecidos como concheiros. A área se estende por cerca de 100 quilômetros a partir da costa e abriga ambientes fundamentais para o ciclo de vida de espécies ameaçadas.

A criação das unidades amplia a rede de áreas protegidas do Brasil e fortalece a conservação de ecossistemas marinhos e costeiros no Atlântico Sul.

Por que o Albardão é tão importante para a biodiversidade

Para muitos, o extremo sul gaúcho remete a longas faixas de praia, dunas e paisagens aparentemente intocadas. Mas o Albardão guarda características geológicas e biológicas muito particulares.

A região tem formações conhecidas como concheiros, associadas a depósitos naturais de conchas na faixa costeira. No ambiente marinho, os chamados fundos consolidados ajudam a formar estruturas que permitem a fixação de organismos como algas, esponjas e corais, criando áreas de abrigo, alimentação e reprodução para diversas espécies.

Essa combinação de ambientes costeiros e marinhos transforma o Albardão em um ponto estratégico para a biodiversidade brasileira. O próprio governo federal reconhece a região como área prioritária para conservação desde 2004.

O extremo sul do Brasil acaba de ganhar o maior parque marinho do país. O Albardão protege ecossistemas raros, toninhas, aves migratórias, tartarugas e áreas costeiras estratégicas.
O Parque Nacional do Albardão e a APA do Albardão protegem mais de 1,6 milhão de hectares de ecossistemas marinhos e costeiros. Foto NEMA / Divulgação

Toninhas, tubarões, raias e aves migratórias ganham novo refúgio

A nova área protegida é considerada estratégica para espécies ameaçadas, como tartarugas marinhas, toninhas, golfinhos-de-Lahille, tubarões e raias. A região também é usada por aves marinhas migratórias e residentes para alimentação, reprodução e desenvolvimento.

Um dos símbolos dessa proteção é a toninha, considerada pelo ICMBio o mamífero marinho mais ameaçado do Atlântico Sul Ocidental. A espécie sofre pressão de capturas acidentais em redes de pesca, poluição e degradação de habitats costeiros.

O Albardão também integra rotas de espécies migratórias que conectam o litoral brasileiro a outras áreas do Atlântico Sul. Isso reforça a importância do território não apenas para o Rio Grande do Sul, mas para a conservação marinha em escala internacional.

Parque e APA: entenda a diferença entre as unidades

As duas unidades criadas no Albardão têm funções complementares.

O Parque Nacional do Albardão é uma unidade de conservação de proteção integral. Isso significa que atividades de extração de recursos naturais, como a pesca, não são permitidas dentro do Parque. O objetivo principal é preservar ecossistemas e espécies, permitindo usos compatíveis, como pesquisa científica, educação ambiental e visitação ordenada, conforme regras do plano de manejo.

Já a APA do Albardão é uma unidade de uso sustentável. Nessa categoria, atividades econômicas podem ocorrer, desde que sejam compatíveis com a conservação ambiental. O decreto também estabelece uma zona de amortecimento para ordenar atividades que possam gerar impactos sobre o Parque Nacional.

Essa combinação cria um mosaico de proteção que busca preservar áreas sensíveis e, ao mesmo tempo, organizar usos sustentáveis no entorno.

Uma mobilização de mais de duas décadas

A criação do Albardão é resultado de um processo longo. A região já aparecia em mapas de áreas prioritárias para conservação desde 2004, e a mobilização pela proteção do território se estendeu por quase duas décadas.

O debate envolveu órgãos ambientais, organizações da sociedade civil, pesquisadores, comunidades locais e setores econômicos interessados no uso da área. Parte das discussões também passou por conflitos relacionados à instalação de empreendimentos de energia eólica offshore na região, tema que vinha sendo acompanhado por ambientalistas e pelo setor de energia.

No fim de 2025, durante a COP30, organizações como a Rede Pró-UC, o NEMA e parceiros da coalizão SOS Oceano defenderam a criação do Parque Nacional Marinho e da APA do Albardão como um marco para a proteção dos oceanos.

Criado no litoral sul do Rio Grande do Sul, o Parque Nacional do Albardão passa a ser o maior parque marinho do Brasil e reforça a proteção de espécies ameaçadas. Foto NEMA/ Divulgação

O desafio agora é tirar a proteção do papel

A criação das unidades é um passo decisivo, mas não encerra o trabalho. O desafio agora é garantir implementação efetiva, fiscalização, elaboração do plano de manejo, monitoramento da biodiversidade e diálogo com comunidades e setores econômicos.

O ICMBio será o órgão gestor das unidades, respeitadas as competências constitucionais e legais da Marinha do Brasil. O decreto também assegura a liberdade de navegação de embarcações e a execução das ações da autoridade marítima.

Com a nova proteção, o Albardão ganha a chance de se consolidar como referência nacional em conservação marinha, pesquisa científica, turismo sustentável e educação ambiental.

Mais do que uma nova área no mapa, o Parque Nacional do Albardão representa uma escolha de futuro: proteger um dos trechos mais singulares do Atlântico Sul antes que a pressão econômica e climática torne essa missão ainda mais difícil.

O que foi criado no Albardão?

  • Parque Nacional do Albardão: cerca de 1.004.480 hectares.
  • APA do Albardão: cerca de 55.983 hectares.
  • Área total com zona de amortecimento: 1.618.488 hectares.
  • Localização: Santa Vitória do Palmar, litoral sul do Rio Grande do Sul.
  • Gestão: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio.
  • Importância: proteção de ecossistemas marinhos e costeiros, espécies ameaçadas e rotas migratórias.
novas unidades de conservação fazem do Albardão o maior parque marinho do Brasil. Foto Cesar Barreto
Novas unidades de conservação fazem do Albardão o maior parque marinho do Brasil. Foto Cesar Barreto

De olho no Horizonte

O que é o Parque Nacional do Albardão?
O Parque Nacional do Albardão é uma unidade de conservação federal criada em 2026 no litoral sul do Rio Grande do Sul para proteger ecossistemas marinhos e costeiros de grande relevância ambiental.

Onde fica o Parque Nacional do Albardão?
O Parque Nacional do Albardão fica no litoral de Santa Vitória do Palmar, no extremo sul do Rio Grande do Sul.

Qual é o tamanho do Parque Nacional do Albardão?
O Parque Nacional do Albardão tem aproximadamente 1.004.480 hectares, sendo considerado o maior parque marinho do Brasil.

O que é a APA do Albardão?
A APA do Albardão é uma Área de Proteção Ambiental de uso sustentável, criada junto com o Parque Nacional do Albardão. Ela possui cerca de 55.983 hectares e permite atividades econômicas compatíveis com a conservação.

Por que o Albardão é importante?
O Albardão abriga ecossistemas marinhos e costeiros estratégicos, serve de refúgio para espécies ameaçadas e integra rotas de aves, tartarugas e mamíferos marinhos no Atlântico Sul.

Quais espécies são protegidas no Albardão?
A região é importante para espécies como toninhas, golfinhos-de-Lahille, tartarugas marinhas, tubarões, raias e aves marinhas migratórias.

A pesca é permitida no Albardão?
No Parque Nacional, atividades de extração de recursos naturais, como a pesca, não são permitidas. Na APA, atividades econômicas podem ocorrer de forma sustentável e conforme regras de gestão.

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