Barco a hidrogenio JAQ H1 navegando

Barco a hidrogênio inicia tour inédito pelo litoral brasileiro

O futuro da navegação sustentável acaba de zarpar — e ele não faz barulho, não emite fumaça e tem o Brasil como palco principal. Neste mês de abril, a embarcação JAQ H1, o primeiro barco-escola da América Latina equipado com tecnologia de geração de energia a hidrogênio, inicia uma jornada inédita por portos brasileiros. Apresentado […]

O futuro da navegação sustentável acaba de zarpar — e ele não faz barulho, não emite fumaça e tem o Brasil como palco principal. Neste mês de abril, a embarcação JAQ H1, o primeiro barco-escola da América Latina equipado com tecnologia de geração de energia a hidrogênio, inicia uma jornada inédita por portos brasileiros.

Apresentado com grande alarde durante a COP30, em Belém (PA), no final do ano passado, o projeto agora sai do papel para a prática. Desenvolvido em uma parceria de peso que une o Grupo Náutica, a gigante automotiva GWM (por meio de sua divisão Hydrogen/FTXT) e o Itaipu Parquetec, o barco de 36 metros tem uma missão clara: provar que o hidrogênio verde (H2V) é a chave para descarbonizar o setor marítimo.

Como funciona o laboratório flutuante?

O segredo do JAQ H1 está em um contêiner instalado no convés, que abriga o núcleo tecnológico da embarcação. Na popa, 14 tanques de fibra de carbono armazenam cerca de 129 kg de gás hidrogênio comprimido. Esse gás alimenta uma célula a combustível (PEMFC) de 80 kW, que transforma o hidrogênio em eletricidade por meio de uma reação eletroquímica.

A grande inovação? Não há combustão. O processo é totalmente silencioso e tem como único subproduto o vapor d’água. Essa energia gerada com quase 60% de eficiência (muito superior à geração fotovoltaica) alimenta hoje todos os sistemas de bordo da embarcação: iluminação, climatização, cozinha e instrumentos operacionais.

Nesta nova fase que se inicia em abril, o barco passará a utilizar motores híbridos de alta eficiência da marca alemã MAN, combinando a propulsão elétrica movida a hidrogênio com o diesel, o que resulta em uma redução de até 80% nas emissões de CO₂ durante a navegação.

O Tour e o Marco Regulatório

A expedição nacional, que começou em março por Belém, ganha o litoral a partir de agora com o seguinte roteiro:

  • Abril: Fortaleza (CE)
  • Maio: João Pessoa (PB), Recife (PE) e Salvador (BA)
  • Junho: Vitória (ES) e Rio de Janeiro (RJ)

No Rio de Janeiro, a embarcação será o grande destaque do Rio Boat Show (11 a 19 de abril) e, em junho, participará do Energy Summit. Durante as escalas, o JAQ H1 funcionará como um centro itinerante de educação e tecnologia, recebendo estudantes, autoridades e especialistas.

A iniciativa navega em águas muito estratégicas. O projeto firmou um Memorando de Entendimentos com o Porto do Açu (RJ) para ser sua base de testes e se antecipa às rígidas normas globais. A Organização Marítima Internacional (IMO) deve votar em outubro deste ano o Marco de Emissões Zero, que prevê taxas pesadas sobre as emissões de carbono nos oceanos a partir de 2028. Paralelamente, o Brasil ajusta as regras do seu Marco Legal do Hidrogênio de Baixa Emissão (Rehidro), que promete bilhões em créditos fiscais.

O JAQ H1 é apenas o começo. O consórcio já prepara para 2027 o lançamento do JAQ H2, um barco de 50 metros que produzirá seu próprio hidrogênio a bordo utilizando dessalinização da água do mar e eletrólise, atingindo 100% de autossuficiência.

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